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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

SOLAR AMADO BAHIA VAI À LEILÃO EM OUTUBRO

Um dos mais bonitos e significativos solares de Salvador foi à leilão para pagamento de uma dívida trabalhista que a Associação dos Empregados do Comércio tem com ex-funcionários,mas a oferta de R$1,3 milhão,sendo R$500 mil abaixo do mínimo exigido não foi aceita pelo leiloeiro e nova data foi marcada para 4 de outubro. Veja que parece até piada que uma entidade  sindical, entre as mais de  17 mil que existem no Brasil , não cumpriu com  suas obrigações nem com seus colaboradores.
 Este belo exemplar dos tempos da fartura foi construído pelo português Francisco Mendonça a mando  do abastado comerciante de carne verde e sebo Francisco Amado Bahia. Ele possuía mais de 300 açougues e muitas fazendas espalhadas por todo o Estado com milhares de cabeças de gado.O construtor era casado com uma tia do comerciante.
  Conta seu bisneto Armênio Leitão Barbosa, hoje com 82 anos e muito lúcido, que o gado para o abate era transportado através das suas fazendas. O gado ia andando de uma para outra fazenda até chegar ao local do abate em Salvador. Esta carne em sua grande maioria era transportada para a Europa através de um porto que ele mandou construir no bairro do Bonfim, nas imediações da praia da Pedra Furada. Ele também era proprietário do Mercado do Ouro e de vários prédios localizados na zona do Comércio, e em outros pontos da cidade.
Esta foto fiz num domingo.A rua estava
muito movimentada
                                                           A CONSTRUÇÃO
  
Quando Francisco Amado Bahia mandou construir o casarão  nos finais dos anos 1800 o comerciante já tinha 13 filhos, e precisava de uma casa ampla e dotada de elementos modernos. Com seu amplo relacionamento na Europa, estabelecido através de suas ligações comerciais com a exportação da carne e sebo foi relativamente fácil encomendar os gradis e colunas ingleses , os espelhos franceses, e mármore de Carrara, na Itália,além de outros elementos necessários para a construção.O solar foi inaugurado em 8 de dezembro de 1904 composto de 52 cômodos,com uma planta retangular,distribuída em dois pavimentos .
A inauguração aconteceu para celebrar os casamentos das filhas mais velhas de Amado Bahia - Clara e Julieta.O majestoso salão especial recebeu também o candidato à Presidência Marechal Hermes da Fonseca , e o seu vice Venceslau Brás, levados por JJ Seabra para um jantar oferecido pelo comerciante Amado Bahia. Dizem que a última vez que o casarão foi usado aconteceu no velório da esposa do comerciante.
  Com a morte dos 13 filhos , os herdeiros, cerca de 60 netos, doaram o Solar em 1956 para a Associação dos Empregados do Comércio construírem um sanatório ( hospital ) no local. Dez anos depois a Associação desistiu de construí-lo, e a sua diretoria resolveu com anuência dos herdeiros instalar uma escola o Centro Educacional Amado Bahia, que funcionou durante alguns anos.
 Assim, os quartos, salas e salões antes ocupados por senhores e senhoras fidalgas ,foram reocupados por sindicalistas e depois por estudantes.

  O SOLAR

 O solar tem um sótão,corredor central e seus quartos estão dispostos transversalmente , como é, segundo os estudiosos, a maioria das habitações  urbanas brasileiras deste período.
 Possui varandas em ferro fundido vindo da Inglaterra e estruturas em abobadilhas de chapa de aço, que são sustentadas por colunas em estilo jônico.Os gradis que protegem o solar foram inspirados no estilo neo-gótico. Já a escada lateral,também em ferro fundido inglês,tem pisos de mármore da Carrara e dá acesso ao chamado pavimento nobre,com seu amplo salão de recepção, espelhos franceses,e uma  capela em estilo neoclássico.
 Lembra  Armênio Leitão Barbosa que as imagens e adereços religiosos desta capela foram vendidos há cerca de uns 60 anos atrás pelos herdeiros.Já as pinturas do teto do solar é de autoria do pintor Badaró ( o pai), conhecido por ter pintado muitos tetos de casarões e até igrejas da Bahia.
O solar contava ainda com materiais de acabamento importados como os pisos de pastilhas coloridas nas varandas,o assoalho de pinho de Riga nos salões e nos quartos, vidros franceses grafados e peças de louça inglesa.
O imóvel tombado pelo Patrimônio Público Nacional - Iphan  ainda pertence à Associação dos Empregados do Comércio, e atualmente está subutilizado, necessitando de manutenção  urgente.

Lá está funcionando desde 2005 o cine-clube Antônio Short,dirigido por jovens do bairro de Itapagipe.Isto graças a uma parceria do Grupo Cultural Bagunçaço e a Associação dos Empregados do Comércio , e funciona também a administração do grupo cultural, o Centro de Empregabilidade Juvenil, e são realizados ali eventos culturais. Eles desejam ver o solar transformado num Centro Cultural para o bairro de Itapagipe com uma gestão composta de jovens.
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