Objetivo


terça-feira, 12 de agosto de 2014

RIBEIRA DO POMBAL PRECISA PRESERVAR SUA HISTÓRIA

Antigo Mercado Municipal demolido sem qualquer
necessidade urbanística.
Vários prédios que eram referência para várias gerações de pombalenses foram demolidos, sem que as autoridades e mesmo a população esboçassem qualquer reação. Entre eles podemos citar: a igrejinha e o cruzeiro que ficavam na antiga rua da Santa Cruz,hoje, Avenida Evência Brito; o antigo Mercado Municipal; Solar dos Brito’s; Casa Chaves e mais recentemente o prédio da cadeia pública, conhecido por Quartel, dentre outros.Também estamos assistindo o desaparecimento ou enfraquecimento de algumas manifestações populares como os grupos de bumba meu boi, de reisados, e outros tanto da zona rural como da cidade que não recebem qualquer incentivo.. Está na hora de uma ação positiva em defesa do nosso patrimônio histórico e cultural.
Foi através da obra da  artista Vânia Reis, que vem ao longo dos anos pintando e  registrando em suas telas a Ribeira do Pombal antiga, que percebi que a reflexão a qual vinha fazendo sobre a descaracterização que a cidade vem sofrendo, também, interessava a outras pessoas. Depois soube que Ubiratan Rocha coleciona fotos antigas dos moradores e da própria cidade, inclusive duas delas ilustram esta matéria.


Praça principal l vendo-se ao fundo o imponente casarão da família Brito. Demolido para dar lugar a um monstrengo modernoso.
A sanha destrutiva da construção civil costuma desrespeitar as tradições em todos os recantosde nosso país. Prédios que deveriam ser conservados, porque fizeram parte da história e do desenvolvimento das cidades, estão desaparecendo. Foi assim com a igreja e o imponente Cruzeiro que ficavam na antiga rua Santa Cruz, hoje, batizada com o nome de Avenida Evência Brito - a igrejinha ficava  mais ou menos no local onde está a Casa do Juiz; o Mercado Municipal; o centenário casarão dos Brito's; os prédios onde funcionavam as lojas de tecidos de Antônio Nascimento e a Casa Chaves, de José Leôncio; os prédios do  antigo Abrigo   e o posto de gasolina Esso, que ficavam na praça, e, recentemente ,  derrubaram  a Cadeia Pública, conhecida por Quartel. Eram prédios que tinham uma identidade com a nossa cidade. Como podemos ver a maioria estava localizado na  Praça Getúlio Vargas, hoje, completamente desfigurada com a construção de imóveis de gosto arquitetônico duvidoso. 
 As intervenções têm que ser feitas com critérios e não simplesmente porque alguém acha bonito ou feio.  O patrimônio de qualquer cidade tem que ser preservado e os pombalenses devem ficar alertas para  evitar novas perdas irreparáveis como a da igrejinha na rua Santa Cruz e outros prédios que desapareceram deixando um vazio do nosso patrimônio histórico.                                                                                              
                                              
                                                      PRESERVAR O QUE RESTA

Até a centenária igreja de Santa Teresa esteve prestes a desaparecer
Estas referências desapareceram e deram lugar a outros imóveis  sem qualquer valor arquitetônico, contribuindo para apagar da memória das novas gerações a verdadeira história de Ribeira do Pombal. Até a histórica igreja matriz, de Santa Teresa, construída pelos jesuítas, esteve ameaçada na mira para ser demolida e, foi salva, graças a alguns abnegados que fizeram uma campanha ( da qual contribui) para arrecadar fundos visando a sua recuperação. Assim, este templo majestoso continua servindo de casa de oração aos pombalenses e se impondo como o mais antigo prédio da cidade.
Não sou contra a modernidade. Mas, entendo que a modernidade não pode passar como um trator por cima dos bens materiais e imateriais das nossas comunidades. Não é conversa de sonhador, de poeta ou como queiram classificar àqueles que não têm esta sensibilidade de valorizar o nosso patrimônio

Outro bonito prédio que marcou gerações também desapareceu.
Esta falsa ideia de que os bens só devem ser preservados se forem centenários é ultrapassada. Os técnicos do Crea, de São Paulo, publicaram  uma importante obra: Patrimônio Histórico: Como e Por que Preservar, onde defendem que "a importância de um bem não tem ligação direta com sua idade. Hoje, existem entidades de preservação da arquitetura moderna.
Bens recentes podem ser indicados para tombamento, pois também estão sujeitos às descaracterizações ou demolições ".
O técnico Telmo Padilha diz que "o  Patrimônio Cultural é um conjunto de bens culturais, e tem seu valor reconhecido por um determinado grupo, ou mesmo, por toda a humanidade. Normalmente o patrimônio cultural é dividido em duas categorias: os bens intangíveis e os bens tangíveis
Já o Instituto Estadual do Patrimônio, de Minas Gerais, ensina que "a comunidade é a verdadeira responsável e guardiã de seus valores culturais. Não se pode pensar em proteção dos bens culturais, senão no interesse da própria comunidade, à qual compete decidir sobre sua destinação no exercício pleno de sua autonomia. Para preservar o patrimônio cultural é necessário, inicialmente, conhecê-lo através de inventários e pesquisas realizadas pelos órgãos de preservação, em conjunto com as comunidades. O passo seguinte é a utilização dos meios de comunicação e do ensino formal e informal para a educação e informação das comunidades, para desenvolver o sentimento de valorização dos bens culturais e a reflexão sobre as dificuldades de sua preservação."
                                                       
                                                          CRIAR UM PARQUE PÚBLICO

O Bioma  Caatinga está ameaçado e o desmatamento tem aumentado a seca na região.É hora de preservar e criar um  parque para que as futuras gerações vejam com era a caatinga no município.
A Prefeitura Municipal, mesmo com seus poucos recursos, deve olhar para essas descaracterizações que a modernidade impõe, a fim de combatê-las. Também, a nossa cidade precisa de um local para a Cultura, para realização de exposições, de encontro de escritores e poetas, onde os jovens possam ter maior contato com a arte e a literatura. Este local poderia ser um aglutinador para resgatar as tradições culturais, especialmente as manifestações populares da zona rural.
Quando da realização do projeto Domingueiras o produtor cultural Roberto Sant'Anna, conseguiu reunir várias manifestações populares que a maioria dos pombalenses desconhecia que existiam em nosso município. Foi um momento mágico e encantador para os que gostam de arte e das tradições culturais.
Os administradores de Pombal já devem ir pensando em criar um parque, próximo da Cidade, numa área significativa da caatinga, preservando-a para ser utilizada pelas futuras gerações. A caatinga também está desaparecendo. Essas ações devem ser implementadas por um gestor que pensa no passado, no presente e no futuro de sua Cidade.
Não podemos ficar só conhecidos como a cidade que tem muitos bares e, é receptiva aos visitantes. É preciso cultivar também valores culturais, que enriqueçam as atuais e futuras gerações.
                                                                                                  Reynivaldo Brito
                                                                                                     Jornalista
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