Objetivo


segunda-feira, 30 de abril de 2012

MÚSICA - NOVOS BAIANOS FAZEM 10 ANOS

Revista FATOSeFOTOS GENTE 23 de Abril de 1979
Fotos Arestides Baptista

Nove filhos e 12 discos depois,
os Novos Baianos fazem 10 anos de
um novo estilo de música e de vida.

O conjunto Novos Baianos está completando 10 anos, com seu jeito imprevisível, alegre, criativo. E – apesar de muita gente, na época, não fazer fé que pudesse dar certo – está hoje com oito LPs e quatro compactos.
A proposta do grupo era mais ampla, a de formar uma comunidade, porque cada um morava longe do outro e era difícil reunir para ensaios. Agora, mostram, orgulhosos, não só a sua produção musical mas também as nove crianças, sendo que, quatro são de Baby Consuelo e três de Galvão, o líder do grupo, ex-engenheiro-agrônomo.

“Aqui não existe esta conversa de famílias fechadas, constituídas. Existe, é claro, o respeito. Mas meus filhos gostam de mim como de qualquer membro do grupo, embora não sejam nem seus parentes. Os garotos recebem muito afeto de todos porque somos um grupo unido pelo amor. A presença de muitos garotos fazem com que fiquem felizes porque têm com quem brincar”. Eles acabam de lançar um disco comemorativo da década.                                                                    
   
O clima, não só das crianças, é de muito bom humor. Basta ver, por exemplo, o filme Cinema Olímpia, que estão fazendo. No elenco, todos os integrantes do conjunto, vivendo vários episódios: Charlie Negrito e os Homens, Alma de Palhaço com Bola do Caixão e a Multidão (terror brasileiro), Gato, oi Gato (paranoia brasileira, com o Gato Félix), Gasolina Versus Rolimã (com Didi, Baixinho e Jorginho, a 60km por hora na serra de Guaratiba), Aventuras e Sonhos de Paulito Monroe Macarrão 18 (com Paulinho Boca de Cantor), Serpentina Não É Cobra, Não (com Pepeu e Baby Consuelo, sobre o Gênesis). E para completar a relação dos integrantes do conjunto e ao mesmo tempo do elenco do filme, o último episódio é O Esquerdinha, o Direitinha, o Alienado e o Sem-Lógica, estrelado por Macalé, Evandro, Zé Paulo e Galvão. “São quatro mendigos, que moram na porta de um cinema. Representam a realidade e a fantasia, uma mistura já que para nós não existe limite entre o real e o sonho. Eles se confundem nas nossas músicas, nossas ações e em tudo aquilo que fazemos”.
Baby Consuleo com uma de suas filhas, foto acima.

COMPORTAMENTO - A PRISÃO DO EX-MILIONÁRIO DA LOTECA


Revista  FATOSeFOTOS GENTE 23 de Junho de 1980

Francisco Fernando Couto Portela – o Chico Portela – já foi um dos milionários agraciados pela Loteria Esportiva. Em 1974, ele ganhou depois de acertar os tão cobiçados 13 pontos, Cr$ 13 milhões e, na tentativa de multiplicar o dinheiro, acabou perdendo tudo. Na foto ao lado escondendo o rosto numa cela da 7a. Delegacia no bairro do Rio Vermelho ,em Salvador.

A sorte não trouxe a felicidade para Francisco Fernando Couto Portela, mais conhecido como Chico Portela. De simples jovem da classe média baiana, ele passou a milionário quando, em 1974, ganhou 13 milhões de cruzeiros da Loteria Esportiva. A tentativa de multiplicar a fortuna só lhe trouxe problemas familiares. “Depois de vários insucessos nos ramos comercial e industrial, Chico Portela teria passado a participar de constantes farras ganhando a fama de provocador de brigas”.

O ganhador da Loteria é hoje um homem de poucas posses, pois não soube aplicar o dinheiro que ganhou. Inicialmente, criou uma empresa imobiliária, depois abriu uma casa comercial e vieram, a seguir, várias outras tentativas, pelo menos, salvar o que tinha ganho com a sorte. Mas não foi feliz e perdeu tudo.

INSATISFEITO

–Segundo amigos – passou a frequentar bares “onde sempre arranjava confusão e se embebedava”. E foi numa dessas bebedeiras que Chico Portela acabou sendo preso. O proprietário do Bar Senhor do Bonfim, no bairro da Pituba, em Salvador, vinha sofrendo várias agressões por parte do ex-milionário e resolveu registrar queixa na 7º Delegacia, solicitando providências. Na semana passada, Chico Portela e seu irmão José João Couto Portela voltaram ao bar e novamente agrediram o dono e perturbaram as pessoas presentes. Novamente a polícia foi solicitada e, lá chegando, encontrou Chico Portela, o irmão e um amigo em estado de embriaguez e foi agredida moralmente pela trinca. Então, foi determinada pelo delegado a prisão dos envolvidos.


Na delegacia, ficou constatado, por intermédio de testemunhas, a agressão de Chico Portela ao proprietário do Bar Senhor do Bonfim. Chico só foi liberado horas depois, mediante fiança de 20 mil cruzeiros. E não tinha mais aquele sorriso largo do dia em que ficou milionário. Para Chico Portela, o sonho acabou.
Na foto ao lado a alegria ao dar entrevista sobre a sua sorte em tirar na loteria.





CIDADE DE SALVADOR - CAPOEIRA, QUEM NÃO BRIGA DANÇA


REVISTA MANCHETE, 09 DE JANEIRO DE 1982.
FOTOS DE TADEU LUBAMBO

Os mestres João Pequeno e João Grande mostam suas habilidades na capoeira.


Entre as artes marciais trazidas pelos escravos da África para o Brasil, a mais bela, e sem dúvida a mais completa, é a capoeira. Expressão corporal do mais alto nível, mistura de luta, dança e esporte, a capoeira foi assimilada pelos brasileiros (principalmente na Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco), que lhe impuseram as inevitáveis transformações resultante de uma cultura diferente.
Como todas as artes tradicionais que não têm regras escritas, a capoeira se transmitiu de mestres a discípulos, numa sucessão cuja origem, segundo os pesquisadores, se encontra nas lutas corporais de Angola.
Mas, durante muitos anos, a prática da capoeira foi proibida pelos colonizadores brancos que viam nela, como aliás no candomblé, uma perigosa resistência da civilização e cultura negras ao domínio português.
Além destas dificuldades de ordem policial, ocorreram ainda rivalidades entre diferentes escolas, ou mais exatamente entre diferentes mestres. Os maiores capoeiristas da Bahia acabavam sempre se indispondo  uns com os outros, e esta hostilidade passava aos respectivos discípulos.



Há mais de 20 anos ninguém conseguia reunir numa mesma roda os seis maiores nomes da capoeira na Bahia:  Waldemar da Paixão (Waldemar);Rafael Alves França ( Cobrinha Verde);  João Pereira dos Santos (João Grande) ;José Gabriel Goes ( Gato) ; Canjiquinha e João Oliveira dos Santos (João Pequeno)
Manchete realizou esta façanha. E o resultado deste encontro histórico poderá ser um novo estímulo para a prática da capoeira no Brasil.

Durante toda a vigência da escravatura do Brasil, as autoridades policiais sempre tiveram o cuidado de proibir a prática da capoeira. No fundo, tratava-se de uma técnica de luta (defesa e ataque) em que os negros se mostravam nitidamente superiores. O lutador de capoeira era considerado um marginal perigoso, um delinqüente.
 O código criminal do Império (1930) previa penas específicas para este tipo de delinqüência, e até mesmo depois da proclamação da República foi baixado um decreto especial contra “os Vadios e Capoeiras” que previa prisão de dois meses para os simples praticantes, e o dobro das penas para os mestres.

Na Bahia, o chefe de Polícia, Pedro de Azevedo Gordilho (Pedrito), ficou famoso pelo rigor com que perseguiu o candomblé e a capoeira. Em 1937, um dos maiores capoeiristas de toda a história do Brasil, Manuel dos Reis Machado, o famoso Mestre Bimba, já falecido, conseguiu registrar uma academia de capoeira na Secretaria de Educação do Estado, um dia, o interventor Juracy Magalhães mandou uma intimação a Mestre Bimba para que comparecesse em Palácio.
 O professor avisou aos discípulos que ficassem atentos: se não voltasse dentro de algum tempo era sinal de que estava preso.Para sua grande surpresa, o interventor convidou-o amavelmente a realizar algumas exibições de capoeira, com seus melhores alunos, diante de altas autoridades que estavam em visita oficial à Bahia.
Daí por diante a capoeira saiu da semiclandestinidade em que vivia, ganhou os colégios e as salas de ginástica, e acabou se transformando numa das mais belas manifestações do folclore afro-brasileiro.
Uma boa roda de capoeira é um espetáculo que deixa boquiabertos os espectadores estrangeiros. E como forma de luta corporal, a capoeira acabou sendo adotada oficialmente até mesmo entre certas formações de elite, como a dos Fuzileiros Navais.
Vale apenas acompanhar as pesquisas dos estudiosos sobre as vicissitudes da capoeira no Brasil.

 O mestre Waldemar, ao lado,  ganha a vida pintando cabaças para fabricação de seus  berimbaus.


Apesar das diferenças aparentes, os pesquisadores garantem que a capoeira tem uma origem única.
Atualmente, alguns pesquisadores costumam distinguir quatro modalidades principais de capoeira: show folclórico, esporte, regional e    de Angola.
Enquanto exibição folclórica, a arte da capoeira é uma manifestação de habilidade e destreza corporal, que se manifesta por um rítmo próprio, com música e balé adequados. O grupo Bahia Total, formado por Maurício Vermelho, antigo estudante de economia que se dedicou à capoeira, já se exibiu em diferentes capitais do Brasil, Europa, África e Estados Unidos, sempre com enorme sucesso.
E até as famosas escolas de samba do carnaval carioca também organizam seus grupos de capoeiristas de exibição. Como esporte, a prática da capoeira foi,de certa forma, aperfeiçoada pelo professor Aristides, cuja academia recebe principalmente crianças. As duas últimas modalidades são as consideradas fortes.
 A capoeira regional foi desenvolvida por Mestre Bimba, um velho capoeirista de Angola que procurou integrar à luta tradicional alguns golpes novos de judô, principalmente lances de pé. Há também quem acrescente a utilização de algumas armas específicas, como a navalha.
Mestre Cobrinha Verde (Rafael Alves França), por exemplo, é um dos únicos capoeiristas que sabe jogar capoeira com navalha presa entre os dedos do pé.

Atualmente com 78 anos, Mestre Cobrinha Verde é certamente o capoeirista mais velho em atividade no Brasil.(Foto)


 Se o golpe do pé sem navalha já é, na maioria das vezes, decisivo, pode-se imaginar a eficiência que a arma vem acrescentar ao lance. As inovações de Mestre Bimba não foram muito bem recebidas pelos adeptos da escola de Mestre Pastinha (Vicente Ferreira, que faleceu no mês passado aos 92 anos de idade), considerado o maior capoeirista de todos os tempos.
Mestre Pastinha continuou defendendo a pureza absoluta da chamada capoeira de Angola, e as discussões acabaram em desavença profunda que durou mais de vinte anos, e à qual esta reportagem de Manchete pode pôr um paradeiro.

Apesar destas diferenças menores, os especialistas, entre os quais se destaca o etnólogo folclorista baiano Waldeloir Rego, garantem que a capoeira é uma só, embora seja difícil lhe indicar uma origem bem definida. Na realidade, os elementos fundamentais são permanentes: música de berimbau, golpes de pé, gingas, arte, e principalmente muita manha. A partir daí, os capoeiristas de qualquer escola se dão ao luxo de improvisar.
 Exatamente como no futebol. Questão de temperamento do lutador. Os chamados golpes cinturados ou ligados, usados na regional, são também explorados pelos praticantes da Angola. Os lutadores iniciam o jogo depois de terminada a ladainha, com todos os capoeiristas agachados na cocorinha, como eles chamam

Depois de se benzerem, os dois adversários trocam um aperto de mão, e ficam gingando de um lado para outro. Um dos lutadores recusa o corpo ao adversário, caindo para trás na negativa, enquanto procura arrastar o pé de apoio do outro, derrubando-o.
A partir daí começa os golpes: tesoura, morcego, rasteira, benção, martelo, cabeçada ou rabo-de-arraia.
O berimbau vai tocando o São Bento Grande, Banguela, Iúna, Cavalaria, são Bento Pequeno, ou o São Bento Grande de Angola, com floreios vistosos pernadas aparentemente inofensivas, mas de uma violência incrível.
Por sua beleza e sua eficácia, a capoeira já faz parte integrante das maiores manifestações do folclore brasileiro..

Na equipe de mestre Vermelho 27, Jim ( primeiro plano) é o destaque nas rodas de capoeira







CONTROLE DA NATALIDADE - INJEÇÃO ANTICONCEPCIONAL

Revista  FATOSeFOTOS GENTE 23 de Abril de 1979


O brasileiro Elsimar Coutinho lança um novo método de controle da natalidade

O controle da natalidade já deixou de ser um assunto de teóricos para se tornar norma ministerial em muitos países. Nesse sentido, qualquer descoberta feita, principalmente no Brasil, ganha enorme destaque. Na semana passada, surgiu a notícia de que, em Salvador, um médico conseguira criar uma vacina que imuniza a mulher do risco da gravidez.
Esta vacina, criada pelo médico Elsimar Coutinho, está sendo testada há cinco anos e apresenta como grande particularidade o fato de exigir a aplicação simultânea da vacina antitetânica, para acelerar a criação de anticorpos. Segundo o médico, a vacina antitetânica é fundamental para se saber a quantidade de anticorpos contra a gravidez que circula no sangue.
As mulheres imunizadas contra a gravidez, há três anos, serão divididas em dois grupos, para que o cientista tenha uma amostra dos resultados obtidos até agora. Ele afirma que, em experiências feitas com saguis fêmeas, os resultados o levam a concluir que qualquer primata fêmea pode usá-la, sem efeito colateral de importância. Essas declarações foram feitas, também, aos participantes do Congresso de Análises Clínicas realizando recentemente na capital baiana.
Aliás, a experiência do Dr. Elsimar Coutinho no campo dos anticoncepcionais é muito grande. Foi ele quem primeiro aplicou o implante subcutâneo e conseguiu criar a pílula do homem. Entretanto, ele não se sente em condições de liberar todos esses produtos para o mercado livre, pois deseja pesquisar mais profundamente os reais efeitos causados. Para ele, é importante que um maior número de voluntárias seja testado.
Quanto à praticabilidade do projeto, crê o Dr. Coutinho que ele deva ser aplicado em área em que o crescimento populacional seja um problema social, como, por exemplo, a China.
Da mesma maneira que a injeção contra a gravidez, outro projeto famoso do Dr. Coutinho é do homem. Essa pílula tem sido utilizada há mais de cinco anos e com resultados realmente espetaculares, pois não causa nenhum dano à atividade sexual ou à potência, uma vez que ela tem hormônios masculinos que compensam qualquer deficiência que por acaso se origine no organismo.
As pesquisas são financiadas pela Organização Mundial de Saúde e pela Fundação Ford, além de contar com o apoio da Universidade Federal da Bahia. Mas nem só os métodos anticoncepcionais são a principal preocupação da equipe do Dr. Coutinho. Da mesma maneira, ele se preocupa com o uso indevido de vacinas, que podem causar efeitos colaterais seríssimos nos pacientes.

O melhor exemplo, segundo ele, é o uso da vacina contra a meningite, antes que se tivesse um estudo detalhado dos possíveis efeitos colaterais resultantes de seu uso. “É preciso que se tome muito cuidado, para que a pessoa a ser beneficiada não seja transformada em vítima de efeitos danosos. É exatamente por isso que minhas pesquisas são cercadas de muito cuidado e muito analisadas, para que o objetivo maior, a saúde e o bem-estar das pessoas, sejam alcançados”.

É exatamente por isso que suas pesquisas se limitam ao campo dos voluntários:

“Os implantes femininos estão muito mais avançados, no que diz respeito à avaliação clínica, e podem ser considerados prontos para lançamento no mercado consumidor, ou através de órgão do governo. Já os anticoncepcionais masculinos ainda não poderão ser liberados antes de serem completadas as pesquisas clínicas, em andamento.”
Salientando a importância da aplicação conjunta da vacina anticoncepcional e antitetânica, explicou que a segunda é formada por proteínas produzidas pelo óvulo no momento em que é fertilizado. No momento em que são injetadas na mulher, elas produzem anticorpos que impedem a implantação do ovo. Geralmente, a imunização contra o tétano e contra a gravidez dura o mesmo período, isto é, cerca de três anos. Isto porque uma vacina reforça o poder imunizante da outra.
Reportagem de Carmem Garcia e Reynivaldo Brito









INDUSTRIALIZAÇÃO - O CENTRO INDUSTRIAL DE ARATU EM DEBATE



Revista Manchete 28 de janeiro de 1978

Reunindo, numa área de 436 km², nada menos do que oitenta e oito indústrias em regime de produção, ao lado de mais vinte e uma em implantação, o Centro Industrial de Aratu, em Salvador, Bahia, está novamente posto em questão. A razão disso é a proximidade do Pólo Petroquímico de Camaçari e, em conseqüência disso, o fato de o Cia  ser uma área que abrigará as indústrias de transformação resultantes de produção petroquímica.

Manchete-  reuniu empresários e autoridades governamentais em torno do assunto, num debate que acolheu as opiniões do superintendente do Centro Industrial de Aratu

CIA -José Fernando Nascimento, do diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador- Conder, Osmar Sepúlveda, de Ulisses Barbosa, Augusto Macedo, Frederico Almeida, Hilton Rodrigues e José Otávio de Almeida, Hideo Hana da M.H.M, e industriais com investimentos no Cia. Durante horas, os mais diversos temas foram levantados, as dificuldades foram apresentadas, enquanto todos os procuravam um denominador comum em torno do qual as soluções surgissem, o espírito de unidade predominando em favor de um empreendimento que tem contribuído decisivamente para o fortalecimento da economia baiana.

Federico Almeida, Diretor da Imac, classificou o Cia como um empreendimento vitorioso. Explicou que, ao ser criado, lhe foi conferida uma função coordenadora e não executiva, acrescentado que o seu planejamento e implantação podem servir de modelo para outros centros industriais. Disse inclusive que o Cia age como uma entidade representativa dos interesses do empresário instalado na área, sendo seu intermediário com o governo do estado, a quem leva suas reivindicações.

Dessa mesma opinião partilha Hilton Rodrigues, diretor da Dow Química, que, "sendo um dos primeiros ocupantes do Centro Industrial de Aratu”, reconhece que as dificuldades ocasionais são próprias de um empreendimento de tal porte, “mas que essas dificuldades devem ser repartidas entre governo e o próprio empresário”. Ele se refere ao fato de que o Plano diretor do Cia permite uma permanente reavaliação, que está ocorrendo agora, em face da realidade atual. “Se há aspectos negativos explica, e eles existem em toda parte, entendemos que o seu lado positivo é bem maior,”

A falta de uma política contínua em relação ao Cia foi, no entanto, apontada pelo industrial Ulisses Barbosa, presidente da Incabasa, como um dos problemas do Centro Industrial de Aratu. Para ele, exportação desse modelo industrial deve ser sempre acompanhada de condições que impeçam uma defasagem na sua implementação.Ele entende que teria faltado, por parte dos empresários da área do Cia, uma maior participação política, não somente no sentido de obter respaldo para suas reivindicações, mas até mesmo de apoiar o governo nas suas decisões. E defende a criação de uma entidade de classe, explicando que “ isso já ocorre com o Pólo Petroquímico de Camaçari”. Mais adiante, ele se refere à posição da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, que poderia, segundo pensa, liderar esse movimento, que somente poderia elevar o nível de entendimento existente entre governo e investidores.

Ulisses Barbosa concluiu sua intervenção com uma reivindicação no sentido da instalação, na área, de um controle de avaria e incêndios, o que, segundo Jpsé Fernando Nascimento, superintendente do Cia, já está em andamento com a aquisição de uma área de 40 mil metros quadrados, prevendo-se o início das obras para o primeiro trimestre de 1978, concluindo-se em dez meses.

No prosseguimento dos debates, Osmar Sepúlveda, diretor presidente da Conder, interveio para acentuar a permanente aplicação de recursos por parte do governo no Cia, mas ao mesmo tempo dimensionando suas deficiências e procurando encaminhar soluções adequadas. Explicou que foi através do Cia que se pode atender dois objetivos de desenvolvimento: o de criar emprego e renda com a produção, desenvolvendo uma infra estrutura adequada na região, e a implementação de unidades produtoras modernas, modificando as condições da economia local. Em segundo lugar, pode-se proteger a população dos incômodos desse tipo de desenvolvimento, a exemplo da poluição, e a sobrecarga sobre a estrutura e serviços urbanos.

O diretor da Paskin, Augusto  Macedo, referiu-se aos problemas de infraestrutura para afirmar que a implantação do Cia não ocorreu sem problemas, citando o fato de que sua empresa atravessou sérias dificuldades no que tange a aspectos estruturais, tendo que, em certa ocasião, deixar a fábrica parada por dois meses, por absoluta falta de água.
Ao apartear o diretor da Paskin, o superintendente do Cia lembrou que, há poucos dias, o Governador Roberto Santos, inaugurara o sistema de água da Zona de Indústrias Pesadas, elevando o seu volume, de quatrocentos mil litros por segundo, para um milhão e duzentos mil litros.

“A consolidação dos centros industriais fica muito a depender da estrutura organizacional que possibilite a criar condições ótimas, como a geração de infraestrutura indispensável, como transporte e energia”, disse José Otávio Almeida,  diretor da Banylsa Tecelagem.

Dos debates ficou evidenciada, porém, a importância que o empresário baiano empresta a iniciativas como o Centro Industrial de Aratu. O eventual posicionamento crítico não infere qualquer pensamento pessimista, mas é aceito como contribuição ao aperfeiçoamento daquele complexo industrial. Os próprios empresários lembraram que a política adotada por determinadas indústrias não foi bem orientada, como por exemplo, o fato de que a existência de produtos similares no mercado baiano, já tradicionais, determinou o fracasso de empreendimentos que lidavam com altos custos tecnológicos. Outras indústrias não dispunham da infra-estrutura desejada, fato que se agravava com os obstáculos decorrentes da conjuntura nacional e que levaram alguns empresários a desistir de continuar em atividade. Ao listar suas reivindicações e expor seus problemas, a agenda empresarial inclua desde a necessidade de aperfeiçoamento da infra-estrutura do Cia, a melhoria das condições sociais e a melhor qualificação da mão-de-obra até os setores de transporte, habitação, energia e segurança.

Ao falar em nome do governo, o superintendente do Cia, José Fernando Nascimento, relacionou uma série de providências em andamento, explicando que em nenhum momento houve omissão oficial, mas contrariamente, um crescente interesse de dar ao Cia a estruturação necessária seu desenvolvimento, ainda mais porque disse ele uma nova função lhe coubera, desde a decisão de implantar na Bahia o II Pólo Petroquímico do Brasil: a de participar desse Complexo,abrigando indústrias de transformação.

José Fernando mostrou aos empresários que, em dois anos, o sistema viário do Cia foi aumentado em cinqüenta por cento, contribuindo para a maior racionalização de transporte na área. No setor habitacional, o projeto do bairro operário de Aratu, em Periperi, prevê a construção de 20 mil unidades, com recursos alocados pelo governo do estado.
Adiante referiu-se ao projeto de criação do Centro de Prevenção e Combate a incêndio, em tramitação na Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Água e energia elétrica são setores que merecem do governo do estado uma constante preocupação, disse o superintendente do Cia, explicando que as providências já desenvolvidas nessas áreas, e as que se encontram projetadas, permitem inferir que, dentro em breve, tais problemas estarão solucionados. A qualificação da mão-de-obra está sendo acelerada através do Centec –Centro Tecnológico da Bahia, que prepara profissionais em Processos Petroquímicos, Manutenção Petroquímica e Telecomunicações. No entanto, a sede definitiva do Centec ocupará uma área de duzentos mil metros quadrados, na Via Parafuso, próxima ao Pólo Petroquímico e ao Cia.
Ao concluir sua participação nos debates, José Fernando Nascimento fez referência a permanente atualização do Plano Diretor do Cia, atualmente em fase de reavaliação, para fazer face às mudanças que o desenvolvimento econômico está produzindo.



RELIGIÃO - 85 ANOS DA MAIS FAMOSA IALORIXÁ DO BRASIL

Revista FATOSeFOTOS GENTE 23 de Abril de 1979


85 ANOS DE MENININHA DO GANTOIS

O prefeito de Salvador Edvaldo Brito com Mãe Menininha do Gantois

Apenas cem pessoas foram convidadas para os festejos comemorativos dos 85 anos da Mãe Menininha do Gantois, e entre elas estavam Maria Bethânia e o atual Prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, que também faz parte da seita. Ele foi pedir a benção a Mãe Menininha e aos Orixás para que antes do término do seu mandato consiga reinaugurar a Baixa dos Sapateiros, que está interditada há vários meses.

Os convidados eram parentes e amigos mais chegados da Rainha da Bahia, como é carinhosamente chamada a mais famosa ialorixá do Brasil, que tem como regente de sua cabeça Oxum. Daí ter recebido uma quantidade interminável de flores amarelas que ornamentaram a igreja beneditina, onde foi rezada uma missa. Durante o sermão o beneditino D. Norberto Santana falou sobre a figura simpática de Mãe Menininha enfocando parte do Gênesis: “Onde está colocada a origem do homem e da mulher para continuarem, sobretudo com forças para a criação de novas coisas, novas vidas”, disso o prior.
Logo que terminou a missa os convidados rumaram para o Alto do Gantois, onde foi servido um farto almoço e o samba-de-roda durou até a madrugada. Por problemas de saúde a ialorixá não compareceu à missa e recebeu pouquíssimos convidados, entre os quais o prefeito de Salvador, que aparece na foto.
Maria Escolástica de Nazaré também recebeu a visita do Governador Roberto Santos e disse que “estas coisas que estão acontecendo não devem ser encaradas com muito pessimismo. Porque nós brasileiros superamos tudo, com a ajuda de Deus”.
Ela se referia às enchentes que estão assolando várias regiões do país.




RELIGIÃO - FESTA - É DOCE FESTEJAR NO MAR


Revista: Manchete 16 de Janeiro de 1982
Foto Arestides Baptista

Em Salvador, após uma noitada de festa, o ponto alto do Ano-Novo foi a tradicional procissão do Bom Jesus dos Navegantes


Os baianos comemoraram a passagem do ano com festas e danças, nos diferentes clubes e boates, ou velejando em dezenas de escunas na baía de Todos os Santos. As camadas de poder aquisitivo mais baixo se valeram das centenas de barracas armadas em quase três quilômetros na faixa do litoral que contorna o bairro da Boa Viagem. A animação foi tão grande que milhares de pessoas preferiram amanhecer o primeiro dia do ano degustando cervejas à espera da procissão tradicional do Senhor dos Navegantes, que saiu do cais da Praça Cairu por volta das 9 horas. Nas escunas, também os festejos continuaram durante toda a procissão. Os mais elegantes preferiram passar o réveillon nas casas noturnas mais sofisticadas, como Régine’s e Hippopotamus. A primeira parece ter saído vitoriosa nesta rivalidade, pois reuniu um número maior de baianos conspícuos, entre os quais três ex-ministros: Said Farhat, Ângelo Calmon de Sá e Eduardo Portela. O ministro das Relações Exteriores, Saraiva Guerreiro, escolheu Salvador para passar as festas de fim de ano, mas não compareceu a nenhum lugar público, tendo preferido o ambiente privado da casa de amigos, perto da Base Naval de Aratu.
 Durante a procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, que desde 1892 faz parte essencial das comemorações do 1° de janeiro, quebrou-se agora um dos mais antigos tabus da Bahia: até hoje, nenhuma mulher tivera permissão para ficar na galeota (a mesma, por sinal, desde 1892) que transporta a imagem do santo. Mas, este ano, a presidência da Comissão de Festas da Irmandade de Boa Viagem é ocupada por uma mulher, a senhora Zuleide Plácido, que, apesar de todas as ameaças e maldições, resistiu a todas as pressões mas não abriu mão de seu direito de acompanhar o Senhor dos Navegantes. A madrinha oficial dos festejos viajou pois, na galeota, ao lado do Cardeal Dom Avelar Brandão Villela, dos membros mais ilustres da Irmandade e dos marujos comandados pelo velho Mestre, que há 51 anos dirige a embarcação durante a procissão maior.
O capitão tinha anunciado até uma catástrofe, com a presença de mulher na galeota. Mas durante as quatro horas que durou a procissão, do Cais da Praça Cairu até o Farol da Barra, retornando em seguida à Praia da Boa Viagem, tudo correu às mil maravilhas, em meio ao barulho das orquestras que iam nos barcos do cortejo. Os baianos estão convencidos de que este ano será abençoado, e esperam agora a segunda grande festa do mês, a Lavagem da Igreja do Bonfim, que se celebrará no dia 8.

INDUSTRIALIZAÇÃO - NITROFERTIL-NE : ECONOMIA DE DÓLARES PARA O PAÍS


Revista Manchete 28 de janeiro de 1978.


Redução sensível no consumo de combustíveis, adubação mais racional e maior produtividade são alguns dos resultados da presença na Nitrofértil-NE no desenvolvimento da região. Além disso, os fertilizantes químicos representam contribuição preponderante na agricultura, evitando a saturação da capacidade de produção de alimentos tão reclamados no mundo moderno. A Nitrofértil-NE não produzirá todo o adubo necessário para atender ás necessidades do país, mas é um dos maiores empreendimentos no setor no Brasil, orçado em US$ 160 milhões e que acarretará, dentro de pouco tempo, uma economia de divisas da ordem de US$ 140 mil diários. A empresa Nitrofértil-NE, Fertilizantes Nitrogenados do Nordeste S.A., é subsidiária da Petrobrás Fertilizantes S.A., empresa holding integrante do sistema Petrobrás, que participa ativamente do desenvolvimento da indústria de Fertilizantes.
Com a construção da Unidade  II ( foto), a Nitrofértil-NE produzirá cerca de duzentos mil toneladas de nitrogênio por ano.

Agora, acabam de ser completados, no Pólo Petroquímico de Camaçari, os trabalhos de montagem de sua unidade II de amônia, para dar início á fase de pré-operação desse conjunto. Tendo sido a primeira fábrica construída em Camaçari, com o nome de Copeb-Conjunto Petroquímico da Bahia, em outubro de 1971, passando, posteriormente, a partir de julho de 1673, á denominação de Petrofértil, hoje, chama-se Nitrofértil-NE, Fertilizantes Nitrogenados do Nordeste S.A. Esta empresa deverá produzir diariamente na nova unidade, em 1979, mil e cem toneladas de amônia e mil e cinqüenta toneladas de uréia. Por outro lado, desde o final do ano passado que a empresa concluiu os trabalhos de montagem da unidade II de Uréia, em Camaçari, e as instalações de armazenamento, descarga e carregamento no Porto de Aratu, a qual já está ligada por um ramal ferroviário com 30 quilômetros de extensão.
Em Aratu, será embarcada para todo o país a produção excedente das novas fábricas.
Encontra-se também em fase final de montagem um tanque de amônia com capacidade de vinte mil toneladas, assim como instalações para refrigeração do tanque que opera a menos de trinta e três graus centigrados, e bombas de carregamento de navios com capacidade para bombear mil toneladas do produto por hora.

CONJUNTOS GIGANTESCOS

Os conjuntos de Camaçari e Aratu têm dimensões gigantescas. O reator de amônia, por exemplo, pesa isoladamente trezentas e oito toneladas, e o de uréia duzentas e cinqüenta toneladas. Navios especiais, dotados de guindastes apropriados, foram necessários para a descarga desses equipamentos, que são os mais pesados já desembarcados no país em uma só peça

Alguns dos maiores compressores centrífugos instalados, com 25.000 CV, estão na fábrica de amônia, e armazém de quarenta mil toneladas, dotado do mais complexo sistema de transporte e manuseio de sólidos, estão na fábrica de uréia As obras civis e a montagem das duas fábricas estiveram a cargo do Consórcio formado pela Montreal Engenharia e pela Companhia Técnica internacional-Techint, empresa das mais capacitadas. O Consórcio empregou equipamentos de grande porte e complexidade, destacando-se o guindaste sky horse, capaz de levantar até seiscentas toneladas em uma só arrancada. As equipes de planejamento, construção e operação desse grande conjunto industrial são, basicamente, as mesmas que implantaram a primeira fábrica formadas, portanto, de pessoal recrutado e treinado na Bahia. Com a complementação da montagem da unidade II de amônia, ocorrida em setembro do ano passado, foram iniciados os trabalhos de pré-operação, que irão prosseguir com as demais etapas do conjunto. Os diretores da empresa esperam que, a partir da primeira metade de 1978, com a construção da unidade II, a Nitrofértil-NE esteja acrescentando cerca de duzentas mil toneladas/ano de nitrogênio á produção nacional. Quando inteiramente concluído, o conjunto será um dos maiores centros produtores de amônia e uréia da América latina, constituindo-se numa central de nitrogenados de escala internacional. Estes produtos vão ainda permitir o abastecimento de sete indústrias em Camaçari e um ano no Centro Industrial de Aratu, além de atender arte dos mercados do sul e do norte do país.

Neste ano, a Nitrofértil-NE destinará cerca de sessenta por cento de sua produção ao mercado do Nordeste, sendo que o restante será absorvido no eixo Centro-Sul. A partir de então, três importantes atividades produtoras estarão sendo beneficiadas com insumo de alta qualidade, de produção regional: a indústria química, com a amônia e a uréia técnica; a agricultura, com a uréia fertilizante; e a pecuária, com a uréia alimentar, utilizada com complemento nas rações de ruminantes.

A Nitrofértil-NE tem como Presidente do Conselho o engenheiro Porthos Augusto de Lins,que também é o Vice-Presidente da Petrofértil, e como seu Diretor-Presidente o engenheiro Antonio da Silva Lima.

Quando inteiramente concluido, o conjunto será um dos maiores centros produtores de amônia e uréia da América Latina, uma central de nitrogenados de escala internacional.


INDUSTRIALIZAÇÃO - O PÓLO PETROQUÍMICO DO NORDESTE EM DEBATE

Revista Manchete 28 de janeiro de 1978.

Sob a presidência do economista João Pinheiro Neto, reuniram-se com os representantes de Manchete na Bahia personalidades do setor privado e autoridades de órgãos estaduais e federais, numa frnca e objetiva discussão sobre o II Pólo Petroquímico do Brasil.


Empresários baianos e autoridades governamentais foram reunidos por Manchete em torno do assunto palpitante: a implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, o segundo do Brasil. Os debates foram presididos pelo economista João Pinheiro Neto, ao lado dos Srs. Carlos Olympio de Azevedo Neto e Antonio Carlos Magarão, da Sucursal de Manchete em  Salvador. Foto abaixo.
Representando o setor privado, compareceram os Srs. Erich Maria Recchia, da Sulfab; Geraldo Guennes, da Metanor, Ney Meireles, pela Dow Química;Carlos Mariani,da Petroquímica da Bahia; Luiz Dejardin, da Nitrocarbono; Ricardo Gutierrez, da Ciquine; Max Paskin,da Paskin; Milton Gaeta, da Companhia Química do Recôncavo; Antonio Silva lima, da Petrofértil. Os Srs.José de Freitas Mascarenhas, Secretário das Minas e Energia do Estado da Bahia; José Hamilton Mandarino, do BNH; Humberto Henrique Garcia Ellery, Prefeito de Camaçari; e Osmar Sepúlveda, Diretor- Presidente da Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador-Conder participaram dos debates como integrantes da área governamental.

A tônica da mesa-redonda, em que nem sempre se pode atingir um consenso, foi caracterizada pela elevada compreensão dos convidados no sentido de que, embora necessitando corrigir algumas falhas, o II Pólo Petroquímico do Brasil constitui uma etapa decisiva para a economia do Norte e Nordeste do país, ultrapassando mesmo tais limites para além das fronteiras nacionais.

TEMAS LEVANTADOS

Tratando-se de um empreendimento cujo porte revoluciona grande parte da economia brasileira, os debatedores, mesmo tecendo sérias críticas nesta fase de implantação, procuraram contribuir com sua opinião no sentido de aperfeiçoar as linhas que possam conduzir à solução de vários problemas.
Desse modo, as discussões variaram do possível esvaziamento do Pólo Petroquímico, do excesso de burocracia, da necessidade de maior dinamização do Complexo, da ausência de investimentos dos empresários baianos, da conjuntura nacional minimizar a dinâmica do Pólo, da desaceleração da economia do país e suas repercussões na área petroquímica de Camaçari, até problemas estruturais como transporte, habitação, mão-de-obra etc.
No início das discussões, o Sr. Erich Recchia, da Sulfab, colocou vários problemas, ocorridos durante a implantação da empresa: a descontinuidade de uma política, em que o decreto-lei 354 concorreu para o agravamento de um ônus financeiro imprevisto, mudando-se desta forma as bases anteriormente assumidas: o fato de a indústria, nacional não cumprir os prazos para entrega de equipamentos, implicando no descumprimento de um cronograma e conseqüentemente afetando a programação financeira; embora reconhecendo o esforço da Petrobrás, o Sr. Erich Recchia acentuou que inúmeras dificuldades com a formação de mão-de-obra local, em todos os níveis, inclusive administrativo e financeiro.Conquanto hoje, acrescenta,noventa e cinco por cento do seu pessoal seja baiano, é fato que o problema continua.

No seu entender, deve ser desenvolvida uma política a nível de governo no sentido de não só formar a mão-de-obra necessária, mas oferecer os meios para retê-la, evitando a rotatividade, que é grande. Ao concluir, o diretor da Sulfab referiu-se ao problema do transporte, tendo esperanças de que o enxofre que atualmente é recebido pela Sulfab, no porto de Salvador, possa desembarcar no porto de Aratu.

Geraldo Guennes Tavares de Lima, da Paskin Indústrias Petroquímicas- representa essa empresa na Metanor. Ao iniciar sua explanação afirmou que a Metanor não teve problemas de grande monta na sua implantação, nem na sua entrada em operação, representando hoje uma capacidade de produção de sessenta mil toneladas/ano de metanol. Referiu-se, porém, ao fato de que, no início, seu problema era de mercado interno, levando a exportar o metanol. No momento, explicou, está sendo implantada a Copenor- Companhia Petroquímica do Nordeste para a produção de formol, pentaeritritol, hexametilenotetramina e fermento de sódio.

“O SEGUNDO PÓLO PETROQUÍMICO DO BRASIL, IMPLANTADO EM CAMAÇARI, BAHIA, CONSTITUI ETAPA DECISIVA PARA A ECONOMIA DO NORTE E DO NORDESTE”

Em seguida, o Sr. Geraldo Guennes manifestou o seu receio de que, a partir da inauguração do Pólo Petroquímico, o Brasil venha a ter grandes excedentes de determinados produtos, até que se implantem as indústrias de transformação. Isso,sublinhou, poderá a ocorrer com o polietileno de alta e baixa densidade, estireno, polipropileno e derivados de óxido de eteno e alguns derivados clorados. Lembrou então que, se isso ocorrer, os empresários deverão aproveitar os incentivos concedidos pelo governo para exportação, referindo-se também às concessões oferecidas pelos países integrantes da ALALC. Ao informar que, por proposta sua, próxima reunião setorial da ALALC será em Salvador, o Sr Geraldo Guennes pediu que os empresários, junto com entidades governamentais, estudassem mais profundamente o problemas das exportações.

“A Bahia não deve sentir-se diminuída por sua pouca participação nos investimentos do Pólo Petroquímico. Trata-se de um empreendimento em escala internacional, em que os capitais alocados exigem uma conjugação de esforços de toda a natureza, privada, estatal e internacional, para que se chegue a um resultado ótimo em termos industriais”, disse o Sr. Ney Meireles de Oliveira, diretor de Planejamento da Dow Química, acentuando que a sua empresa não está no Pólo, pois ela chegou bem antes da sua implantação em Camaçari representando um investimento, com recursos próprios,da ordem de US$ 330 milhões,a Dow teve a participação da indústria nacional, ainda porque, disse, “isso, é uma questão de bom-senso. Não se pode implantar um complexo se não tiver um apoio logístico das empresas locais”.

Ao concluir informou que a Dow Química já está produzindo o óxido de propeno e cloro-soda, além do propileno-glicol USP, em grau de pureza, abastecendo a indústria farmacêutica nacional.

A petroquímica da Bahia vem investindo em três projetos, dentro de Camaçari: Pronor- Produtos Orgânicos, Nitro-Carbono e Isocianatos do Brasil. Seu diretor, Carlos Mariani, disse que “nessa questão de implantação do Pólo Petroquímico, perde-se mais tempo com as formigas do que com os elefantes.Perde-se muito tempo em números desprezíveis,dentro de um vultuoso investimento de US$ 2 bilhões; perde-se muito tempo em convencer áreas que já deviam estar convencidas, quando as coisas já estão prontas, já estão definidas”

Tudo isso, ele entende como contribuição para onerar o custo total do empreendimento.

A influência de desaceleração está muito ligada ao aspecto do início da comercialização. “Nós,- continuou o Sr.Carlos Mariani - podemos dizer que, já no fim do segundo semestre, teremos uma venda razoavelmente igual à do ano passado, o que consideramos um resultado bastante animador.”

Após falar sobre o aspecto local operacional, que acha estar correndo dentro dos prazos estimados, o diretor da Petroquímica da Bahia abordou o problema da formação de mão-de-obra para dizer que “esse é um programa caro, em que cada empresa está pagando os custos de implantação no treinamento de pessoal”,elogiando o esforço do governo do Estado da Bahia e da Petrobrás na superação desse problema. Na Petroquímica da Bahia, acentuou, de quatrocentas ou quinhentas pessoas que temos, somente uns 10 ou 15, não são da Bahia. O Sr. Carlos Mariani teceu ainda considerações sobre o problema habitacional para louvar a iniciativa de construção de uma área residencial, próxima ao Pólo, com apoio das empresas que estão adquirindo as casas para repassá-las aos seus funcionários.

“O transporte, disse, representa atualmente um ônus adicional, em torno de um salário por mês, por operação.”

Para o Sr. Luiz Dejardim, da Nitrocarbono, o problema do transporte está ligado ao de habitação, pois oito por cento do seu pessoal, vindo de São Paulo; Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte, se deslocam para Salvador, o que representa, em média, um custo médio de Cr$ 1.500,00 por pessoa. A falta de habitação adequada, afirma, não tem sensibilizado esse grupo a residir em Camaçari, embora ele saiba dos programas habitacionais que estão sendo desenvolvidos naquela cidade.


CIQUINE E SUA HISTÓRIA PIONEIRA

Ricardo Gutierrez, da Ciquine, não é somente um pioneiro de Camaçari, quando ali se instalou ainda em 1968, com uma pequena e modesta fábrica de anidrido ftálico, produzindo 5.000t/ano. Além do seu pioneirismo, ele é também um otimista que gosta de ver as coisas pelo seu lado positivo.

Durante os debates lembrou que, quando chegou a Camaçari, faltava energia elétrica cinco, dez minutos, mas às vezes essa paralisação alcançava até cinco horas. Que não dispunha de toda a matéria-prima necessária para a sua produção, o transporte era difícil e todo mundo achava longe trabalhar em Camaçari.

TODAS AS DIFICULDADES ESTÃO SENDO VENCIDAS

“Mas - diz ele- quem não teve essa dificuldade! Todos a tiveram, não só na Bahia, mas em São Paulo, a indústria automobilística enfrentou problemas sérios, a indústria de construção naval, inclusive com uma inflação de 106% ao ano, e greves três vezes por semana. Hoje, quando salto em Salvador e vejo uma Via Parafuso que leva do Aeroporto à Ciquine em vinte minutos, sítios surgindo à beira da estrada, boa energia elétrica, água,acho que estamos bem melhor”- disse sorrindo. – E tanto isso é verdade continuou Gutierrez que, daquela produção inicial de 5 mil toneladas, nosso projeto em andamento vai permitir que, das atuais 24 mil t /ano, passemos para 45 mil. È bem verdade que, em 1968, ficamos seis meses sem vender nada e aí tivemos que recorrer ao mercado externo, exportando para o Chile e Peru. Hoje não, estamos com toda nossa produção vendida. Acredito no Pólo Petroquímico disse o diretor da Ciquine. Acho que dentro em breve virão para cá fábrica de botões, de tecidos, de carteiras de cédulas, de derivados de plásticos e então, não tenham dúvidas, Camaçari estará entre os municípios de maior renda do Brasil”,

A FASE DE IMPLANTAÇÃO É SEMPRE A MAIS EUFÓRICA

Ao intervir, o Sr Max Paskin, da Paskin Petroquímica, ressaltou que desejava lembrar aos empresários que o momento é o da chamada fase eufórica, mais bonita, que é a de implantação, porque tudo funciona, não falta dinheiro, não falta ajuda, não falta apoio e não falta propaganda.Mas, com a inauguração da fábrica, começa também a necessidade de saldar os empréstimos, acrescidos dos juros e correção monetária, que naturalmente sairão da venda do produto. E nem sempre a Comissão Internacional de Preços acompanha os custos como deveria acompanhar.
O Sr. Max Paskin explicou que a sua indústria não está no Pólo, mas no Cia, do qual, disse, “ Não tenho boas referências, porque é uma entidade que carece de uma reformulação no seu modo de atuar, de modo a tornar-se mais dinâmico. Mas, hoje já temos várias fábricas atuando em nosso complexo, em situação bem melhor do que na fase de instalação, quando a falta de energia provoca enormes prejuízos. Agora a energia da Bahia é uma das melhores do país, vinda de Paulo Afonso”.

“ A Companhia Química do Recôncavo – CQR – foi localizada de modo errado – disse o seu diretor, Sr. Milton Gaeta – e só agora esse erro está sendo corrigido com sua implantação no Pólo. A CQR não é rigorosamente uma indústria petroquímica pois a petroquímica depende delas apenas para um outro produto. Guardadas as devidas proporções, ela participa dos problemas até aqui abordados, mas temos recebido um apoio bastante efetivo das autoridades, quer estaduais, federais e municipais.

Não sei – disse – se ao final dos debates sairei daqui com mais ou menos temores do que até agora, com relação ao futuro da empresa no Pólo. É bem verdade que há sempre um atraso, principalmente quando dependemos da entrega de equipamentos, mas a data do fechamento da fábrica atual, localizada em Salvador, esta será cumprida.”
Como a Ciquine, a Petrofértil é pioneira em Camaçari, com uma característica de ter sido a primeira na área do Pólo Petroquímico. Seu diretor, Sr. Antonio Silva Lima, explica que opera com fertilizantes e produtos químicos, incluindo fábrica de uréia e amônia.
Salientando que se trata de fábricas pequenas, ressalta o fato de que, no entanto, a Petrofértil já abastece de nitrogênio cerca de setenta por cento do mercado nordestino juntamente com a Paskin, que fornece uma parte desse fertilizante.

Adiante ele diz que a Petrofértil está destinada a ser uma das empresas supridoras de matérias-primas para as outras empresas do Pólo, por força dos insumos que produz. Os investimentos na área,destinados a quintuplicar fábricas da Petrofértil, somam US$200 milhões. “Mas – diz o Sr. Antonio Silva Lima – tivemos dificuldades com o CIA na definição das bases no porto de Aratu. As informações e providências tardaram. Tivemos, e ainda temos, dificuldades quanto ao suprimento de energia elétrica. No início de nossas operações, essas dificuldades foram maiores, ao que se aliou o problema de mão-de-obra. Formamos todo o nosso pessoal técnico, gastamos em média o equivalente a US$ 3 mil para formar um operador. Instrumentistas, mecânicos, eletricistas e todo o pessoal especializado foi preparado a expensas da Petrobrás. Gente humilde, às vezes doente, e muito mais fraca que a mão-de-obra do Centro-Sul. Hoje, com essa mão-de-obra operamos nosso complexo sem maiores dificuldades. “ O diretor da Petrofértil relata as suas dificuldades no setor de transportes, cujo custo atinge até cerca de vinte por cento do curso médio de um operário em Camaçari. “ Gastamos cerca de Cr$2 milhões para fazer desvios e reforços que permitissem a passagem de equipamentos pesados. No momento, já há uma infra-estrutura bem melhor do que aquela que encontramos então”. Continua oi Sr. Silva Lima : “Temos preocupações quanto ao escoamento da produção na área, pois se deveria dar ênfase à ferrovia que consome menos combustível por tonelada transportada. Mas o sistema não é ainda eficiente. Finalmente, quanto ao custo dos produtos, é compreensível que um país em desenvolvimento – que tem de construir sua própria infra-estrutura – produza a preços mais elevados em comparação com os países industrializados. Em termos domésticos é compreensível que São Paulo produza a preços menores que a Bahia. Mas, à medida que a nossa infra-estrutura for sendo montada, produziremos a custo menores . Isto é desenvolvimento.”

OS CUIDADOS DO GOVERNO

O sr. Osmar Sepúlveda, diretor-presidente da Conder, fez um relato dos planos do governo com relação ao Pólo Petroquímico afirmando que as autoridades, em todos os níveis, estão convencidas da necessidade de dotar a área adjacente ao Pólo de um modelo de urbanização que proteja e preserve o ambiente atual e, ao mesmo tempo, elimine as deseconomias que possivelmente serão geradas na localização das indústrias.

Acentuou que ninguém está interessado em permitir a poluição, muito menos transformar uma região com tanta beleza natural numa área inabitável. Referindo-se ao programa habitacional, ele disse que o importante não é o número de habitações a serem levantadas, mas importa saber se essa moradia está no lugar certo, se está próximo ao do centro de emprego, se está no ambiente adequado.

Por parte do governo há uma constante preocupação com essa infra-estrutura urbana que permita apoiar os investimentos e que deverá solucionar, a média prazo,os problemas de transporte, não só de passageiros, mas também de carga, de matéria-prima, de produtos, de integração entre a Região Metropolitana internamente e de integração dessa região com os mercados, já que a Região Metropolitana é entendida como o núcleo da cidade principal, que é Salvador, que faz e fará a integração de mercados entre Camaçari e o resto do mundo, através dos seus serviços. Tudo isto, concluiu, é pensamento do governo, que se integrou num programa que está em andamento, que é a implantação das indústrias do CIA e no Copec.

O prefeito de Camaçari Sr. Humberto Henrique Garcia Ellery, fez em seguida uma explanação de como o município está sendo planejado para atender às suas novas funções com relação ao Pólo Petroquímico. Começou afirmando que, a partir do Plano Diretor do Complexo Petroquímico de Camaçari – Copec, fez-se o Plano Piloto para as cidades de Camaçari e Dias Dávila, desenvolvendo-se a partir daí programas sociais de infra-estrutura e administrativos., o que vem ocorrendo desde 1974. Nesse ano, a Prefeitura dispunha de uma receita de CR$ 6 milhões , incluídos recursos transferidos, ao passo que, em 1977, esse total deverá atingir Cr$80 milhões.

OS DIVERSOS SETORES FORAM DESENVOLVIDOS



Explicou então o Prefeito Humberto Ellery que, gradativamente, todos os setores foram sendo desenvolvidos: na área de habitação, implantou-se um programa que abrange inclusive pessoas com faixa de renda de um salário-mínimo, com permanente assistência da Prefeitura; o setor escolar sofreu um incremento elevado de modo que, no momento, há salas de aulas ociosas, o que despreocupa o governo municipal para os dois anos,m embora a construção de novas escolas continue, antecipando-se mesmo aos bairros residenciais projetados. O abastecimento da cidade, resumindo numa feirinha na praça, é hoje dimensionado no Centro Comercial que foi construído e que abriga mais de quatro mil feirantes, o que contribuiu para transformar o centro num entreposto comercial de uma vasta região e não só da cidade. O acanhado posto médico foi substituído por uma moderna Unidade de Saúde.

“ Mas – continua o prefeito de Camaçari – entendemos que não só a moradia é fator decisivo de fixação do homem. Por isto, já estamos em negociações, com entidades federais, um financiamento destinado à área de lazer que permitirá dotar tanto Camaçari, como a Estância Hidromineral de Dias Dávila, de estádios, áreas de lazer ativo e passivo, florestamento dentro da própria cidade, implantação de parques, teatros, quadras de esporte e até ciclovia”,

Por sua vez, o Sr. José Mandarino, do BNH, confirmou a sensibilidade do Banco, em todas as suas linhas de programa, com respeito ao Pólo Petroquímico. Frisou que o BNH não considera somente a habitação como essencial, mas, em sua volta, a implementação de equipamentos técnicos e comunitários. Reportou-se a contratos assinados com o governo do estado, na ordem de Cr$6 bilhões, dizendo que o problema habitacional deve ser visto sempre em sentido mais amplo, e não apenas no da residência.

O secretário de Minas e Energia, José de Freitas Mascarenhas, interveio para dizer que uma cidade não se constitui somente no lugar para morar, mas no lugar de viver, devendo toda cidade ter muito mais do que a casa. Deve ter seu ambiente cultural, diversões, lazer e serviços de saúde, educação etc. Por outro lado, as cidades concorrem entre si. Isso, frisa, não existe senão em regiões metropolitanas, onde a metrópole comanda todo o sistema de cidades. Então, sublinha, está-se prevendo que Salvador deverá ter dois milhões de habitantes, dos 3.700 milhões da Região Metropolitana, o que leva a dimensionar o problema do transporte de massa, em relação com o uso do solo.

O secretário de Minas não acredita no esvaziamento do Pólo, porque ele não deve ser entendido como um produtor para exportação, mas, ao contrário, um produtor para o mercado interno, podendo haver problemas de exportação em termos eventuais e para algumas empresas. Sobre a falta de investimentos baianos, disse o secretário José Mascarenhas, a Bahia não teria condições de uma maior participação. Argumentou então com a poupança local, que é pequena, a falta de experiência no setor, mas, ainda assim, satisfeito por ver a participação do Grupo da Petroquímica, do Banco Econômico e alguns empresários menores. Mas não concorda com a falta de participação no setor da indústria de transformação, porque, acrescentou, não há dificuldade tecnológica, não exige grandes investimentos ou grandes poupanças.

Sua opinião sobre a conjuntura atual e o reflexo do Pólo Petroquímico é que isso ocorre, mas em grau menor do que em outros setores, porque o mercado é cativo.Passou então a enfocar o problema de transporte quando afirmou que o mais grave é o de transporte ferroviário, mas que é um problemas fora da alçada do governo estadual, que age apenas politicamente, isto é, reivindicando.

Ao concluir sua participação, o diretor-presidente da Conder abordou ainda dois pontos: o da mão-de-obra, que reconhece ser um problema sério, mas em equacionamento, não só na área do governo estadual, mas da Petrobrás, que dispõe de um programa de treinamento dos mais eficientes. No que tange à energia, afirmou que Camaçari disporá da melhor energia do país, porque, além da Chesf, está sendo implantada uma nova subestação, com seis grupos de geradores, além da própria produção da Copene.

                                                O PÓLO HOJE

Depois de sofrer um esvaziamento na década de 90 , quando se iniciou no país a fase da privatização,  o Pólo Petroquímico perdeu várias indústrias importantes e, foi grande o número de desempregados. Na década de 80 era o sonho do jovem  baiano conseguir um emprego no Pólo . Hoje , ao completar 34 anos está havendo um revigoramento  e já conta hoje com 90 empresas , sendo 34 dos ramos químico e petroquímico, e 56 dos setores automotivo, celulose,metalurgia do cobre, bebidas , têxtil e serviços. O seu faturamento deverá gerar de Icms em torno de R$ 1 bilhão e, já representa 30% do total exportado pela Bahia. Deve fechar o ano com um faturamento de R$ 16 bilhões ,  além de gerar 30 mil empregos diretos e indiretos. Dizem os executivos do Pólo que existem muitas dificuldades, a serem enfrentadas principalmente com relação a infraestrutura portuária, rodoviária e ferroviária.Com a expansão do Pólo dos setores automotivo e petroquímíco aumentará a necessidade de grandes investimentos na infraestrutura, o que é um desafio aos governos federal e estadual. 

INDUSTRIALIZAÇÃO - SIMÕES FILHO DOIS ANOS DE ADMINISTRAÇÃO PLANEJADA

MANCHETE, 28 DE JANEIRO DE 1978.



Em meu segundo ano de governo, a atual administração do Município de Simões Filho, integrante da Região Metropolitana de Salvador, está empenhada em promover o desenvolvimento multiforme de todos os setores do Centro Industrial de Aratu. Para isto existe um perfeito entrosamento entre a Prefeitura e empresários, que estão acompanhando de perto os serviços de urbanização, saneamento, limpeza pública e abertura de novas avenidas. Já foram abertas seis avenidas de vale para possibilitar o melhor escoamento do tráfego no futuro e determinar a instalação de novas residências dentro dos modernos padrões de moradia. Todas elas são dotadas de luz elétrica, sistema de abastecimento de água asfaltadas e com passeios, além de arborização.

Visando a evitar o crescimento desordenado daquela cidade que sofre diretamente o impacto do desenvolvimento industrial, a Prefeitura Municipal está disciplinando os loteamentos não permitindo assim o aparecimento, no futuro de possíveis favelas.

Na área de saúde, o Prefeito João Filgueiras de Simões Filho está empenhado na ampliação do hospital com construção de novas salas para abrigar outros departamentos e serviços.

Para isto será instalada uma lavanderia elétrica e ampliado o laboratório, com convênios a serem firmados com empresas e clínicas médicas. Algumas empresas, como a SIBRA e USIBA, já participam do empreendimento e outras poderão ajudar a ampliação do hospital, que será de grande utilidade para os habitantes da cidade e arredores.

Mas a Prefeitura de Simões Filho está também procurando a dar seus munícipes o tão decantado lazer. Assim, o estádio de futebol será ampliado com a construção de arquibancadas em concreto armado e contará com um moderno sistema de iluminação para que possam ser realizadas partidas durante a noite. Ainda dentro deste programa serão construídos, nos primeiros meses de 1978, vários campos esportivos, entre eles o dos distritos de Goes Calmon, Mapele e Pitanguinhas.

No centro da cidade de Simões Filho a atual administração está reformando ruas e praças com instalação de meios-fios e asfaltando vários logradouros públicos.

Uma nova entrada da cidade este sendo planejada com vistas a atrair a presença de turistas. Também estão sendo executados os serviços complementares para a Avenida Washington Luís, a fim de se faça a sua conexão com a BA-093.

No próximo ano será executado o serviço de abastecimento de água para a população a cargo da EMBASA, Empresa Baiana de Águas e Saneamento do Estado, sendo que os estudos já foram concluídos. Novas escolas de primeiro grau já foram entregues à população e, o Prefeito João Filgueiras, de Simões Filho doou um terreno de vinte mil metros quadrados à Secretária de Educação do Estado, a fim de que nele sejam construídas duas escolas de 2º grau de um colégio polivalente.

Encontra-se, ainda, em fase final de projeto, a nova Estação Rodoviária, para atender aos serviços intermunicipais de transportes coletivos, dotando assim o município de um complexo circuito rodoviário interligando seus distritos com as cidades vizinhas.

INDUSTRIALIZAÇÃO - CANDEIAS OS PRIMEIROS FRUTOS DE UM TRABALHO DINÂMICO


Revista Manchete 28 de janeiro de 1978.


Administrar um município considerado problema no contexto da Região Metropolitana de Salvador e acordá-lo para o presente é o grande desafio assumido pelo prefeito de Candeias, o dentista Celino Gomes da Silva. Além das dificuldades urbanas, necessitando de cuidados urgentes, a preocupação maior é quanto à população, constituída na sua maioria por pessoas de baixa renda, que por falta de qualificação profissional assistem ao progresso chegar, sem chances de participação.

A educação, a saúde, o saneamento básico e a implantação de uma política arrojada de uso de solo constituem as metas prioritárias da administração municipal, cujo objetivo final é a valorização humana. A população atual do Município de Candeias, atualmente estimada em 45 mil habitantes, será no ano de 2000 cerca de 165 mil pessoas. Por conseguinte, serão necessários outros investimentos de porte no setor de habitação e infra-estrutura básica.

VOCAÇÃO INDUSTRIAL

Muitos antes do advento do Centro Industrial de Aratu, o Município de Candeias já revelava uma forte vocação industrial, graças ao petróleo e ao gás natural ainda abundantes no seu subsolo. Ao lado de iniciativas da Petrobrás, ao longo dos anos, grandes indústrias ali foram implantadas. Por falta de planejamento, o crescimento desordenado provocou certas dificuldades e a população foi a mais prejudicada.

Estudos realizados pela Conder, órgão que coordena a região Metropolitana de Salvador, enfocaram alguns problemas graves de ordem estrutural que, envolvem Candeias nos seus diversos setores. Por exemplo, a dinâmica de desenvolvimento da população na sede no município, iniciada na década de 1960 por motivos de ordem econômica (Candeias foi o segundo município da RMS escolhido como local de residência da população ligada às atividades petrolíferas); a população antes situada em torno de quatro por cento subiu a mais de seis por cento na faixa de crescimento geométrico médio anual, resultando no caos que hoje se observa, principalmente em face do baixo nível de renda de maior parte do povo, gerando no ambiente urbano a predominância de habitações rudimentares, modestas, sem conforto, com déficit habitacional em Candeias deve ser mais alto entre os municípios baianos.
Praticamente metade da área do município está comprometida com os diversos setores, a exemplo da prospecção petrolífera, reflorestamento, com os empreendimentos do setor de indústria pesada do Centro Industrial de Aratu ou com indústrias privadas de grandes dimensões que exploram o setor petroquímico.
Outros dados colhidos pelo Conder dizem respeito a renda populacional, onde desponta a predominância da classe C, na faixa de zero a três salários mínimos, compreendendo cinqüenta e sete por cento; segue-se a classe B, com renda na faixa de três a onze salários mínimos, o que corresponde a quarenta por cento da população; a classe A, com renda acima de onze salários mínimos, compreende apenas a três por cento.
Com um pouco mais de um ano á frente da administração municipal, o Prefeito Celino Gomes de Silva começa a colher os primeiros frutos de um trabalho dinâmico.

INDUSTRIALIZAÇÃO - CAMAÇARI UM EXEMPLO DE PLANEJAMENTO HUMANIZADO

REVISTA MANCHETE 28 DE JANEIRO DE 1978.

Camaçari sendo planejada por profissionais especializados

Há apenas dois anos, a cidade de Camaçari, no município baiano escolhido para sede do II Pólo Petroquímico do Brasil, tinha pouco mais de 13 mil habitantes de hábitos e costumes pacatos, nas suas ruas estreitas onde a vida corria devagar, no ar tranqüilo das chácaras de veraneio.
A pracinha da Matriz, com a missa dos domingos, a feira dos sábados junto ao velho Mercado Municipal, a tranqüilidade de poder dormir sem muito barulho, o cantar dos galos e o apito do trem,em torno do qual a cidade surgiu e se desenvolveu,caracterizavam Camaçari como uma das muitas cidades do interior brasileiro, nascida de uma estação ferroviária.

Uma cidade que os poetas definiriam como: bucólica, tal a sua paz, mesmice e beleza, com seus cajueiros, mangueiras e jaqueiras seculares sombreando os extensos quintais. Essa a Camaçari, que o Pólo Petroquímico encontrou, onde a natureza e a tranqüilidade de seus moradores mal começavam a se habituar à presença de algumas indústrias: uma fábrica de azulejos, outra de cerveja, algumas cerâmicas.

É sobre essa cidade pacata, a cinqüenta quilômetros de Salvador, que está nascendo uma nova Camaçari, planejada com ousadia para uma população de duzentos mil habitantes, quase vinte vezes a população de 1974. E esta cidade nova está sendo cuidadosamente colocada sobre a humanidade preexistente, de modo que o centro da Camaçari de amanhã seja o mesmo centro as Camaçari de ontem, ampliado, modernizado e densificado sem, no entanto, perder seus elementos mais importantes, suas marcas urbanísticas, sua identidade humana e paisagística. O Plano Piloto da nova cidade foi elaborado em 1974 pela Secretaria das Minas e Energia do Governo do Estado da Bahia, que no ano anterior, havia definido o Plano Diretor do Pólo Petroquímico e até hoje coordena as ações do Governo em toda a área sob a influência do complexo industrial que se instala em Camaçari.

Todas as ações do Governo Estadual e da Prefeitura Municipal têm se desenvolvido segundo as diretrizes contidas naquele Plano Diretor, que apresenta dois pontos de grande interesse como definição de uma política para o desenvolvimento industrial do Brasil: o primeiro deles é quanto à preservação e proteção do meio ambiente e o segundo é a integração urbano-industrial, enfatizando os aspectos humanos e sociais do desenvolvimento. A proteção à ecologia, em Camaçari, tem sido levada a um rigor que poderia até parecer exagerado, não fosse a decisão de otimizar a qualidade de vida na região, sem que isso venha a incidir nos custos de produção industrial. A construção de um dos maiores sistemas de tratamento de esgotos industriais do mundo, num investimento inicial de mais de 500 milhões de cruzeiros e a implantação de um vasto anel de florestas com largura mínima de setecentos metros, envolvendo todo o Complexo Industrial, são os programas mais expressivos desta política.
A estação de tratamento deverá entrar em operação nos primeiros meses de 1978, livrando os mananciais da área de perigos de contaminação.
A floresta ecológica que está sendo plantada em torno da área industrial será muito diferente das conhecidas florestas industriais: em vez de um ou dois tipos de árvores, terá uma grande variedade de espécies entre essências exóticas e nativas, muitas delas frutíferas. Além da purificação do ar e do embelezamento, existe a intenção de desenvolver uma fauna de pássaros e animais de pequeno porte para o enriquecimento biológico da área.



GENTE - FORÇA DE VONTADE DE UM HOMEM

Revista: FATOSeFOTOS GENTE 23 de Abril de 1979


A perda dos dois braços não desanimou um baiano pai de sete filhos que quer voltar a trabalhar para sustentar a família.

Um defeito físico, motivo de prostração para muita gente, não abateu o ânimo de Flávio Pereira Coelho, ex-funcionário da Petrobrás, aposentado há seis anos devido a um acidente de trabalho que lhe tirou os dois braços.
Flávio dirige seu Opala no congestionado trânsito de Salvador, coloca os discos na vitrola, abre a geladeira e se serve de refrigerante, pega o telefone e disca para onde quer, treina seu pastor alemão e escreve. Com os pés, ele faz quase tudo que normalmente se faz com as mãos.

“Eu era um operário que trabalhava num setor de eletricidade, dirigindo muitos funcionários. Hoje, sou chofer de madame. Sabe por quê? Porque vivo a levar e apanhar meus sete filhos nos Colégios, levo minha mulher ao supermercado. Perdi meu status de chefe”, comenta com bom humor.
 Flávio Pereira Coelho gostaria de conseguir braços eletrônicos que pudessem ajudá-lo, mas os que ganhou, no tratamento no Rio e São Paulo, de nada valeram. Se recuperasse todos os movimentos, poderia voltar a trabalhar e completar o orçamento doméstico, já que as despesas são muitas. Seus sete filhos estão todos em idade escolar.


DROGAS - DESGRAÇAS DE UM BAILARINO

Revista: FATOSeFOTOS GENTE 19 de Maio de 1980


Desgraças de um bailarino preso por tráfico de drogas


O bailarino francês Gerard Gali (foto) está há seis meses numa cela coletiva da Casa de Detenção em Salvador, aguardando a decisão judicial que o expulsará do país. Preso em novembro do ano passado por portar 250 gramas de maconha, Gerard não está bem de saúde, pois não consegue ingerir os alimentos servidos no presídio.

Ex-integrante do Balé Alvin Nikolais, ele chegou ao Brasil há três anos a convite da Universidade Federal da Bahia para ministrar um curso intensivo na Escola de Dança. Sua prisão estaria ligada a uma denúncia formulada por um conterrâneo, que precisou voltar à França, deixando com Gali sua esposa.
 Ao retornar soube que os dois tinham se tornado amantes e, indignado, procurou as autoridades para fazer a acusação. O maior problema enfrentado por Gerard no presídio tem sido o isolamento total. “Não existem pessoas com quem eu posso manter um diálogo normal. Passo o tempo todo meditando”, desabafa.
 Com o dedo fraturado na mão direita, em virtude de uma violenta bolada, ele está impossibilitado de escrever a obra intitulada de A História de Itaparica. Para diminuir o sofrimento de Gerard, os intelectuais baianos estão iniciando um movimento para solicitar às autoridades o aceleramento do processo de expulsão.

HISTÓRIA DO BRASIL - UM RÉPLICA DO DESCOBRIMENTO

Revista FATOSeFOTOS GENTE 19 de Maio de 1980

O destino dos índios pataxós e a necessidade de preservação ecológica de uma das mais importantes reservas florestais do país foram o assunto em destaque, durante as solenidades programadas por vários órgãos para relembrar o Descobrimento do Brasil.
Nas duas missas celebradas respectivamente em Porto Seguro e na Coroa Vermelha, por ocasião do 480° aniversário da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, o bispo de Caravelas, Dom Felipe Tiago Broers, e o cardeal primaz do Brasil, Dom Avelar Brandão Vilela, levantaram a necessidade de se proteger a terra e a gente do nosso país.
Mais de dez mil pessoas assistiram a essas réplicas da primeira missa no Brasil, idealizadas pelo Mobral. O sucesso foi tão grande que o governador da Bahia decidiu incluir a promoção no calendário cívico turístico do estado para não faltar apoio governamental.
A Carta Régia distribuída na ocasião por um grupo de estudantes, atores e moradores da região denunciava a atividade predatória que vinha sacrificando árvores centenárias da nossa história